O Endowment de Yale entregou 13,7% ao ano por décadas com mais de 60% em ativos ilíquidos. O segredo não é genialidade: é a compreensão de que iliquidez, para quem tem estrutura, é uma vantagem estrutural — não um inconveniente.
Quando um investidor aceita não poder resgatar um ativo a qualquer momento, ele recebe em troca um retorno adicional — o prêmio de iliquidez. Esse prêmio existe porque a maioria dos participantes do mercado precisa de liquidez: fundos têm resgates, instituições têm obrigações, indivíduos têm necessidades imediatas.
Quem não tem essas pressões — quem pode comprometer capital por 5, 10, 15 anos — captura esse prêmio sistematicamente. É matemática, não magia. Pesquisas da AQR Capital Management estimam que o diferencial de retorno entre ativos ilíquidos e líquidos de qualidade equivalente é de 3–5 pontos percentuais ao ano no horizonte de 10 anos.
Famílias patrimoniais com estrutura de gestão adequada estão em posição única para capturar esse prêmio — porque não têm as pressões de liquidez que afligem investidores institucionais. É uma das poucas vantagens estruturais genuínas que uma família bem estruturada tem sobre grandes fundos.
David Swensen gerenciou o Endowment de Yale por 35 anos, entregando retornos médios de 13,7% ao ano enquanto o S&P 500 entregava 10,9% — com volatilidade percebida significativamente menor. A estratégia: mais de 60% em ativos alternativos e ilíquidos — private equity, imóveis, florestas, recursos naturais.
A filosofia era clara: ativos ilíquidos oferecem retornos superiores porque exigem paciência que a maioria não tem. A vantagem competitiva não é informação superior — é horizonte temporal superior. E horizonte temporal se constrói com estrutura, não com intuição.
O modelo foi replicado por Harvard, Princeton, Stanford e MIT. Não por moda — por resultado. E o que torna esse resultado acessível não é o tamanho do capital: é a qualidade da gestão e a disposição de pensar em décadas.
Estudos comportamentais documentam consistentemente que investidores em ativos líquidos tomam piores decisões: vendem em crises, compram em picos, reagem a ruído de curto prazo. Ativos ilíquidos eliminam essa opção — e paradoxalmente resultam em melhores retornos para quem tem horizonte.
Quando a gestão é feita por uma estrutura que não depende de resgates para operar — como a nossa — o investidor pode capturar o prêmio de iliquidez sem os riscos de uma estrutura mal dimensionada. O ativo trabalha no tempo certo. O investidor colhe o resultado.
Liquidez é conforto. Iliquidez com gestão adequada é retorno. A arte está em saber quando abrir mão do primeiro para capturar o segundo — e ter a estrutura que torna isso possível.
Todo o trabalho de seleção, estruturação e gestão é nosso. Uma conversa é suficiente para entender se há afinidade.
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